Teste do iPod Touch de 2ª Geração
Por André Gordirro em 23 de setembro de 2008
Introdução
É tão certo quanto a chuva de verão: entra ano e sai ano, a Apple lança novidades em sua linha de iPods. Eles ganham novas formas, novas características e imediatamente desalojam suas contrapartes anteriores no pódio de objetos de desejo de todos nós. Dentre as caras novas da linha 2008, ganha destaque a segunda geração do iPod Touch, seu tocador de música digital que tem interface acionável pela ponta dos dedos. Aliás, tocar música é apenas uma de suas funções, e a que menos importa no total, já que o iPod Touch é praticamente um PDA, com acesso à navegação web e e-mail via rede WiFi, agenda de contatos, games e até capacidade de ver vídeos e fotos. Vamos analisar suas capacidades e dizer o que mudou da versão 2007 para a que foi lançada agora.
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Figura 1: O iPod Touch de 2ª geração.O iPod Touch
O novo modelo chega às prateleiras mais fino que o anterior e com opções de 8, 16 e 32 Gb de memória. Ganhou também um microscópico alto-falante e botões de volume externos, muito práticos para quem acionar esses comandos rapidamente, sem precisar liberar a tela para acesso (que trava após alguns minutos sem uso). O falante reproduz um som de radinho de pilha e não deve ser usado para ouvir música, mas é bom quando se usa o iPod como despertador ou mesmo para games que não tenham uma trilha sonora elaborada. Além da espessura menor, o Touch ganhou contornos arredondados similares ao iPhone 3G – aliás, esse último tem corpo de plástico (para baixar seu preço final), enquanto o Touch manteve a estilosa parte traseira de aço escovado. De resto, as demais dimensões e o tamanho da tela (3.5 polegadas) são iguais aos do modelo 2007.
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Figura 2: O aparelho de lado.
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Figura 3: Detalhe do falante e botão liga-desliga.Usando o iPod Touch
Todos os controles do aparelho funcionam na tela sensível ao toque, com exceção de três botões: o já comentado controle de volume; o liga-desliga, e o botão Home, que retorna o iPod à sua interface de abertura. Na tela estão os ícones do navegador Safari, calendário, e-mail, contatos, YouTube, bolsa de valores, mapas, tempo, relógio, calculadora, bloco de notas, ajustes, loja da Apple, e, não menos importante, música, filmes, fotos e iTunes, o programa proprietário da empresa que faz o iPod funcionar. Falaremos mais adiante sobre o programa. A disposição dos ícones e até sua inclusão e retirada podem ser personalizadas pelo usuário.
A navegação na internet e o acesso ao e-mail são seus pontos altos. É necessário que haja uma rede WiFi aberta para que isso ocorra, naturalmente. A configuração com nossa rede caseira foi facílima: o iTouch imediatamente a detectou e pediu a inserção da senha para se conectar. Uma vez feito isso, sempre que o ligamos em casa ele já se conecta automaticamente. Para os neuróticos por e-mails como nós, é útil ir checando as mensagens logo ao dar os primeiros passos em casa, já que o Touch liga bem mais rápido que nosso desktop. Na rua, isso depende de as redes estarem abertas ou não. Checamos o email ao entrarmos em um shopping center com WiFi liberado em sua praça de alimentação, por exemplo. Mas vale uma preciosa dica para poupar bateria: desligue a função WiFi caso só vá ouvir músicas ou curtir vídeos.
Como na reprodução de música ou vídeos, virar o iPod de lado o transforma em um monitor widescreen. O usuário pode navegar nos sites com a tela “em pé” ou “deitada”. Para dar zoom (afinal, as letras ficam miúdas e os links, próximos demais uns dos outros para ser acionados corretamente), basta tocar a tela com dois dedos e abri-los. A entrada de dados, seja digitando uma URL ou uma mensagem de e-mail, é feita por um teclado virtual QWERTY que exige treinamento e precisão, já que é comum o dedo tocar na letra errada por conta da proximidade das teclas virtuais. Ao menos há uma útil tecla “.com” para agilizar a digitação. O iTouch tem dicionários em várias línguas com o recurso de auto-completar palavras à medida que são digitadas.
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Figura 4: O site do Clube do Hardware no iPod.Outras funções como mapas, tempo, bolsas e YouTube também precisam que o aparelho esteja conectado. Os mapas não chegam a ser um GPS como o do iPhone 3G, mas utilizam o motor do Google Maps e, teoricamente, conseguem localizar o usuário ao triangular as redes WiFi próximas. Tentamos várias vezes com nossa rede caseira, mas o iPod Touch não nos encontrou. Ainda assim, é útil para traçar caminhos possíveis, como fizemos entre nosso endereço e o Maracanã.
O iTunes
Fale com usuários leigos. Fale com micreiros. Fale com programadores. Todos dirão: o iTunes é um dos piores softwares já feitos. Pesado, comedor de recursos, inamistoso, pouco prático – a lista de reclamações é enorme. E, infelizmente, os iPods só rodam com ele (“só”, em termos, já que existem variações genéricas, mas os novos modelos não as aceitam... ainda). Quase desistimos de comprar o iPod Touch quando lembramos que passaríamos pelo calvário de usar o iTunes. Claro que cedemos, mas é igualmente claro que também passamos por dores de cabeça para instalá-lo.
Para começar, nosso desktop roda a versão 64-bits do Windows XP – que não é suportada pelo iTunes, especialmente a versão 8, obrigatória para que o iPod Touch 2008 funcione. A Apple esconde a versão 64-bits do iTunes em seu site, e mesmo assim ele só roda em Windows Vista 64 bits. Após uma tarde de tentativas de enganar o programa, entregamos os pontos e instalamos o iTunes 8 em nosso laptop, que roda Windows XP tradicional (32-bits). Como nosso notebook tem míseros 512 Mb de RAM (afinal, seu uso se resume a digitação de reportagens, navegação na internet e e-mails em viagens), a pobre máquina agora põe a língua para fora ao rodar o iTunes...
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Figura 5: O iTunes.Aí encaramos os problemas de sempre do programa: navegação confusa e sincronia voluntariosa de arquivos com o iPod. Em primeiro momento, ele encheu sua memória com músicas a seu bel prazer, apesar de termos selecionado “sincronia manual”. Tivemos que esvaziá-lo e tentar de novo. O danado repetiu a mesma coisa com nossas fotos, apesar de termos selecionado apenas uma pasta específica (“viagem NY”) para tanto. Para quem quiser ver vídeos, especialmente os baixados da internet, é preciso convertê-los para MP4, o formato de vídeos para dispositivos móveis como celular, PDA e iPod. Usamos o gratuito DVDVideoSoft Free Studio, baixável aqui, que é bem fácil de operar e tem opções de conversão em alta, média ou baixa qualidade. Depois usamos o iTunes (afe...) para passar os vídeos convertidos para o iPod e curtimos uma TV particular no metrô.
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Figura 6: Vídeo rodando no iPod Touch.Considerações Finais
Infelizmente, a Apple Store, loja virtual de músicas, filmes, seriados e aplicativos para iPod, não funciona aqui no Brasil. É possível "ripar" seus CDs para o iPod, mas como ficam os aplicativos bacanas que não podem ser adquiridos? Bem, há um jeitinho, segundo tutorial do blog da MacMagazine, encontrável aqui. Testamos a sugestão e conseguimos instalar aplicativos gratuitos como leitor de notícias do New York Times (que necessita de conexão WiFi) e jogos de cartas e dados. Em poucas linhas, basta mudar o país do seu iTunes para EUA, selecionar um aplicativo grátis e marcar “none” (nenhuma) nas opções de pagamento (já que os programas são grátis). Crie um login e senha, coloque um endereço americano qualquer para cobrança (que não ocorrerá, pois, repetimos, os aplicativos são gratuitos) e pronto. Muito bom mesmo o tutorial de Silvio Sousa Cabral (quem faz bonito sempre leva o nosso crédito). Pena que, sem podermos adquirir softwares pagos no Brasil, ficamos sem poder testar jogos bacanas, que se valem de reconhecimento de movimento para jogar.
Quanto ao consumo de bateria, um histórico problema dos iPods, a Apple afirma que a 2ª geração do iTouch tem uma duração maior, de 36 horas para áudio e 6 horas para vídeo. As estimativas da empresa para modelos anteriores sempre foram, digamos, por demais generosas... Em nossa primeira semana com ele, andamos de metrô vendo cerca de 1h30 de vídeo, tocamos muita música e passamos horas navegando, vendo e-mails, sempre com a função WiFi ligada. Ao todo, chegamos à metade da bateria, e quando fomos sincronizar com novidades, a bateria carregou de novo. Ah, sim, como todos os iPods recentes, a recarga ocorre pelo mesmo cabo USB que realiza a passagem de arquivos. Quem quiser realizá-la sem depender de um computador, ligando na tomada de casa, terá que comprar um carregador separadamente.
No fim das contas, se você procura mais que um tocador de música, e sim um PDA com a grife iPod, o iTouch cumpre a função com louvor. É ótimo para ouvir música e ver vídeos, checa e-mails e navega na internet, e tem uma interface simples, a um toque das mãos. Apenas a digitação é um pouco complicada, e se o usuário estiver disposto a enfrentar as peculiaridades do iTunes, o iPod Touch é um excelente investimento.
Especificações
As principais especificações do iPod Touch de 2ª geração são:
- Dimensões: 61,8 mm x 110 mm x 8,5 mm
- Peso: 115 g
- Tela widescreen de 3,5 polegadas (diagonal) com tecnologia Multi-Touch
- Wi-Fi (802.11b/g)
- Memória flash de 8 GB, 16 GB ou 32 GB
- Armazena até 1.750, 3.500 ou 7.000 canções em formato 128 Kbps AAC
- Armazena até 10.000, 20.000 ou 7.000 fotografias visualizáveis no iPod
- Armazena até 10 horas, 20 horas ou 40 horas de vídeo
- Resposta de freqüência do fone de ouvido: 20Hz a 20.000Hz
- Impedância: 32 ohms
- Formatos de áudio suportados: AAC (16 a 320 Kbps), Protected AAC, MP3 (16 a 320 Kbps), MP3 VBR, Audible (formatos 2, 3 e 4), Apple Lossless, AIFF, e WAV
- Suporte a e-mails MobileMe, Microsoft Exchange, Yahoo! Mail, Google Gmail, e AOL, além de servidores IMAP e POP
- Suporte a 17 idiomas, 30 teclados internacionais e 19 dicionários
- Bateria interna de lítio-íon recarregável, com até 36 horas de música ou até 6 horas de vídeo quando totalmente carregada
- Mais informações: http://www.apple.com.br
- Preço nos EUA: USD 229 (8 GB); USD 299 (16 GB); USD 399 (32 GB)
Conclusões
Pontos Fortes
- Controle sensível ao toque
- Mais fino que o antecessor
- Acesso à internet e e-mail
- Plataforma móvel de jogos
- Qualidade iPod de som e vídeo
- Tela grande widescreen
Pontos Fracos
- iTunes
- Apple Store não funciona no Brasil
- Teclado virtual requer treino e paciência
- Função de autocompletar palavras mais atrapalha do que ajuda
- Não vem com carregador
- Devido ao infame "Custo Brasil" o modelo mais barato deve chegar aqui custando mais de R$ 800.
Originalmente em http://www.clubedohardware.com.br/artigos/Teste-do-iPod-Touch-de-2a-Geracao/1563
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