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Arquitetura de 64 bits da Intel (IA-64)

       
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Aprenda tudo sobre o funcionamento da arquitetura IA-64 da Intel, utilizada pelos processadores Itanium.

Arquitetura de 64 bits da Intel (IA-64)

Introdução

Desde 1994, Intel e HP vêm trabalhando numa proposta de 64 bits. Sua arquitetura deveria possibilitar aos processadores CISC um passo grande o suficiente para ultrapassar os processadores RISC. Usando a técnica denominada VLIW, ainda experimental na época, e criando o modelo EPIC, eles propuseram a arquitetura Merced, que ficou prometida para início do ano 2000. Como a conjuntura mudou, os processadores Pentium III e IV e o Athlon ofereceram desempenho excepcional, ultrapassando 1 GHz, e ainda devido ao preço elevado dessa nova arquitetura e a pouca disponibilidade de programas para 64 bits, o cronograma foi atrasado e o lançamento da arquitetura IA-64 deverá ocorrer somente neste ano.

A sigla VLIW significa “Palavra de Instrução Muito Grande”, do inglês “Very Large Instruction Word”. Processadores que usam essa técnica acessam a memória transferindo longas palavras de programa, sendo que, em cada palavra, estão empacotadas várias instruções. No caso da IA-64, são usadas três instruções para cada pacote de 128 bits. Como cada instrução tem 41 bits, sobram 5 bits que são usados para indicar os tipos de instruções que foram empacotadas. A Figura 1 apresenta o esquema de empacotamento das instruções. Esse empacotamento diminui a quantidade de acessos à memória, cabendo ao compilador a tarefa de agrupar as instruções de forma a tirar o melhor proveito da arquitetura.

Arquitetura de 64 bits da Intel (IA-64)
Figura 1: Empacotamento das instruções usada na arquitetura IA-64.

Como já foi dito, o campo de 5 bits, rotulado como “Indicador”, serve para indicar os tipos de instruções empacotadas. Esses 5 bits oferecem 32 tipos de empacotamentos possíveis que, na verdade, são reduzidos para 24 tipos, já que 8 não são utilizados Cada instrução usa um dos recursos da CPU, que estão listados a seguir, e que podem ser identificados na Figura 2:

  • Unidade I: números inteiros;
  • Unidade F - operações a ponto-flutuante;
  • Unidade M - acessos à memória; e
  • Unidade B - tratamento de desvios.

A arquitetura que a Intel propõe para executar essas instruções, que foi denominada Itanium, é versátil e promete desempenho através da execução simultânea (paralela) de até 6 instruções. A Figura 2 apresenta o diagrama em blocos desta arquitetura que faz uso de um “pipeline” de 10 estágios.

Arquitetura de 64 bits da Intel (IA-64)
Figura 2: Diagrama em blocos da CPU Itanium (arquitetura IA-64).

As arquiteturas IA-64 recebem a sigla EPIC, do inglês “Explicit Parallel Instruction Computing”, que é traduzida como “Computação com Paralelismo de Instruções Explícito”. Com essa sigla, a Intel quer dizer que o compilador será o grande responsável por determinar e explicitar o paralelismo presente nas instruções a serem executadas. Isto é uma combinação de conceitos chamados de especulação, predicação e paralelismo explícito. A seguir, estudaremos rapidamente cada um deles.

O Paralelismo a Nível de Instrução (IPL - “Instruction Level Parallelism”) é a habilidade de executar múltiplas instruções ao mesmo tempo. Como já vimos, a arquitetura IA-64 permite empacotar instruções independentes para serem executadas em paralelo e, por cada período de relógio, é capaz de tratar múltiplos pacotes. Devido ao grande número de recursos em paralelo, tais como grande quantidade de registradores e múltiplas unidades de execução, é possível ao compilador gerenciar e programar a computação em paralelo. Os compiladores usados para as arquiteturas tradicionais são limitados em sua capacidade especulativa porque nem sempre há como ter certeza se a especulação será corretamente gerenciada pelo processador. A arquitetura IA-64 permite ao compilador explorar a informação especulativa sem sacrificar a correta execução de uma aplicação.

A arquitetura IA-64 tem mecanismos denominados indicador de instruções, sugestões para desvios e cache, que permitem ao compilador enviar ao processador informações obtidas durante o tempo de compilação. Essas informações minimizam as penalidades advindas dos desvios e ausências de cache (“cache misses”).

Existem dois tipos de especulação: a de dados e a de controle. Com a especulação, o compilador antecipa uma operação de forma que sua latência (tempo gasto) seja retirada do caminho crítico. A especulação é uma forma de permitir ao compilador evitar que operações lentas atrapalhem o paralelismo das instruções. A especulação de controle é a execução de uma operação antes do desvio que a precede. Por sua vez, a especulação de dados é a execução de uma carga da memória (“load”) antes de uma operação de armazenagem (“store”) que a precede e com a qual pode estar relacionada.

Com a “predicação”, do inglês “predication”, marca-se com predicados todos os ramos dos desvios condicionais que, em seguida, são despachados para a execução em paralelo, porém, executa-se apenas os que forem necessários. Assim, é possível preparar a execução das instruções antes mesmo de se ter resolvido o desvio condicional. Além da remoção de desvios através do uso de predicados, na arquitetura IA-64, existe ainda uma série de mecanismos que devem diminuir o erro na predição dos desvios e o custo quando este erro acontece.

A arquitetura IA-64 traz uma grande quantidade de registradores. São 128 registradores gerais (inteiros), 128 registradores de ponto-flutuante, 64 registradores de 1 bit, para os predicados, e diversos outros registradores para configuração, gerenciamento e monitoração do desempenho da CPU.

Para finalizar, vemos que a Intel promete compatibilidade com os aplicativos de 32 bits (IA-32). Eles deverão rodar sem qualquer alteração desde que o sistema operacional e o “firmware” tenham recursos para isso. Deverá ser possível rodar aplicativos no modo real (16 bits), modo protegido (32 bits) e modo virtual 86 (16 bits). Com isso, eles querem dizer que a CPU poderá operar no modo IA-64 ou modo IA-32. Existem instruções especiais para transitar de um modo para outro, como mostrado na Figura 3.

Arquitetura de 64 bits da Intel (IA-64)
Figura 3: Modelo de transição dos conjuntos de instruções.

As três instruções que fazem a transição entre os conjunto de instruções são:

  • JMPE (IA-32): salta para um instrução de 64 bits e muda para o modo IA-64;
  • br.ia (IA-64): desvia para uma instrução de 32 bits e muda para o modo IA-32;
  • Interrupções transicionam para o modo IA-64, permitindo assim o atendimento de todas as condições de interrupção e
  • rfi (IA-64): é o retorno de interrupção; o retorno se dá tanto para uma situação IA-32 quanto para uma IA-64, dependendo da situação presente no momento em que a interrupção for invocada.

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