De 1995 a 2001, o meu dia a dia era mais ou menos o seguinte. Eu era empregado do Instituto de Tecnologia ORT como coordenador do laboratório de tecnologias avançadas, com horário de trabalho “oficial” de 09:00 às 18:00. Este trabalho consistia, entre outras coisas, dar aulas para o ensino médio técnico da escola, manutenção de todos os computadores da escola, supervisionar os meus ajudantes (nesta época eu tinha ajudantes, normalmente ex-alunos do meu curso que queriam pegar um pouco mais de experiência prática de manutenção de computadores) e estudar novos assuntos para serem introduzidos na escola de alguma forma. Na realidade, eu podia usar o espaço da escola para qualquer tipo de experimentação, o que era excelente. De segunda a quinta, após o expediente normal, eu dava aulas no meu “Curso de Hardware”, das 19:00 às 22:00. E depois das 22:00 eu normalmente ficava por lá escrevendo meus livros. Nesta época eu dormia, em média, seis horas por noite. Às vezes, menos. Não à toa eu tinha apenas 57 kg (com 1,80 m). Figura 1: meu "Curso de Hardware", em 1996 Figura 2: meu "Curso de Hardware", em 1996 O meu emprego me dava ainda a flexibilidade de escrever as minhas colunas do jornal O DIA, usar o laboratório para efetuar os testes para a coluna “Microteste” do jornal e as análises de produto para o Clube do Hardware, além da própria manutenção do site. E ainda a flexibilidade para treinar Taekwondo das 16:30 às 18:00 (a academia ficava a apenas duas quadras do trabalho). Sextas a noite e finais de semana eu normalmente gastava escrevendo os meus livros. Nesta época, eu lançava três livros por ano. Figura 3: coquetel de lançamento do livro "Hardware Curso Completo 2ª Edição", em 1998,  meu sétimo livro. Eu sou o de gravata A loja que tive entre 1996 e 1998 era tocada no dia a dia pelo meu sócio. É claro que, eventualmente, eu trabalhava um pouco menos do que isso para poder intercalar um pouco de vida social e namoro. Além disso, como eu trabalhava em uma escola, minhas férias coincidiam com as férias escolares, mas normalmente usava este tempo para poder dar um gás na loja ou escrever meus livros. Ou seja, eu na realidade vivia no trabalho e ia em casa apenas para dormir. Só quem é workaholic como eu fui já teve a experiência de tentar abrir a porta de casa com a chave do trabalho ou discar “0” no telefone de casa antes de tentar ligar para alguém. Só para vocês terem ideia, uma vez eu sentei na cama para tirar o sapato e acordei no dia seguinte deitado atravessado na cama, com a luz acesa, vestido, e calçando apenas um único sapato. É importante explicar tudo isso para vocês entenderem que o sucesso que eu tive com o Clube do Hardware e com os meus livros não foi da noite para o dia, e minha rotina diária de trabalho era de pelo menos 12 horas por dia, durante muitos anos. É aquela velha história: sucesso só vem antes de trabalho no dicionário. Em 1996 eu dei entrada em um imóvel na planta e em 1998 ele ficou pronto e eu saí da casa dos meus pais. Eu tinha 24 anos, nenhum móvel, uma dívida enorme com a construtora, mas estava feliz da vida em dormir em um colchonete no chão, celebrando a minha conquista. Em 1997 eu troquei meu Fusca 1979 por um Escort XR3 conversível a álcool 1992. E no final de 1998 eu troquei o Escort por um Xantia zero. (Por sinal, uma das maiores burrices financeiras que já fiz na vida. Deveria ter continuado com o Escort. Conto esta história em detalhes aqui.) A história do Clube do Hardware de 1996 a 2001 eu já contei em outro canto. (Não deixe de ler!) Apenas para fazer a ligação entre o que eu escrevi lá e o que eu estou relatando aqui, originalmente o nome Clube do Hardware foi usado pela versão paga do meu site, após eu ter encerrado a minha loja, em 1998. A versão paga do site, que era um serviço de consultoria, durou até 1999, quando resolvi juntar tudo e usar um único nome, Clube do Hardware. Além disso, em 1999 eu criei a versão em inglês do Clube do Hardware, chamada Hardware Secrets. Eu fiz isso por que, na época, os fabricantes só queriam colaborar conosco se pudessem ler o que a gente escrevia em inglês. Assim, o Hardware Secrets surgiu da necessidade de termos nossas análises de produtos em inglês. E, é claro, abria a possibilidade para ganharmos dinheiro com um site em inglês. Afinal, se estávamos tendo tráfego e interesse com um site em português, havia uma grande probabilidade de termos sucesso em inglês também. Este site foi o que me levou a me mudar do Brasil para os EUA em 2007. Mas não vamos adiantar a história! Em breve conto mais. Continuem acompanhando! Clique aqui para ler as demais partes desta série.
Um relato da história profissional de Gabriel Torres, dono do site Clube do Hardware. Nesta parte, resumimos o que aconteceu entre 1997 e 2001.