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Porque “O melhor Custo-benefício” nem sempre significa o “Mais Barato”

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            Atenção: Este post é uma opinião própria, e embora use dados e cálculos, usa um conceito subjetivo sobre o termo “custo-benefício”.

 

            Com o estado atual do nosso país, é bem comum termos menos dinheiro sobrando para comodidades como um PC Gamer em casa. Existem outras coisas que tomam prioridade em nossas vidas, como família, trabalho, as contas, o aluguel, etc. Devido a isso, vejo muitos vídeos no youtube usando a palavra custo-benefício para definir uma qualidade de um produto.

            Mas muitas vezes, eu vejo que o tal vídeo (ou artigo, depende do meio por onde navegamos na internet) cita o termo “Custo-benefício” devido ao preço do produto ser relativamente baixo em relação ao mercado de Hardware, ou seja, considera apenas a parte de “custo” da palavra “custo-benefício).

            Por exemplo, já vi vídeos que dizem que a GT 1030 é um ótimo “Custo-Benefício”, embora a RX 570 (que é 80% mais cara) chega a ser 200% mais potente em certos momentos. Lógico que argumentam que “até 400 reais, é uma escolha bem custo-benefício”. Não está errado em dizer que a melhor placa até 400 reais é uma GT 1030 (embora não seja no atual momento, mas na época a RX 550 não estava em um preço tão atraente), mas dizer que é um ótimo custo-benefício é onde discordo completamente.

             

             Bom, vamos ao conceito de “Custo-benefício”:

             Custo significa o valor de um objeto, neste caso, o valor de mercado (pois valor sentimental não dá para ser expresso por números), ou seja, quanto um consumidor comum pagaria em média pelo produto, ou quanto um vendedor comum receberia em média da venda.

             Benefício significa a vantagem, ou o proveito que você consegue tirar de um objeto. Para muitos produtos, é difícil medir tal conceito. Porém, no mercado de hardware, é muito comum de se ver pilhas de reviews sendo feitas, muitas vezes com vários outros produtos sendo comparados ao mesmo tempo. Como é o caso da TechPowerUp, Techspot, AnandTech e canais como Gamers Nexus e Hardware Unboxed. E isso facilita muito na hora de ver o desempenho total de uma peça.

             Então juntando os 2 conceitos chegamos à custo-benefício como “valor que se paga por tal vantagem”. Um bom custo-benefício, significa que esse valor é baixo, enquanto a vantagem é alta (ou seja, um ponto de encontro entre valor e vantagem). Um custo-benefício ruim é quando o valor é alto, enquanto a vantagem é pequena.

 

             Para entender melhor, veja o gráfico abaixo:

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             Aqui temos uma comparação de preço e desempenho entre 3 produtos hipotéticos X (representado pela cor laranja), Y (representado pela cor verde) e Z (representado pela cor azul). O tamanho do círculo representa quanto você está gastando por desempenho, um círculo maior significa que você está gastando mais, um círculo menor significa que está gastando menos. Ou seja, quanto menor o círculo melhor.

            O produto X é o mais barato entre eles, muitos vídeos diriam que é o produto mais custo-benefício, embora ele tenha o maior círculo entre os 3 produtos. Como podemos ver, por 100 reais a mais, você consegue o produto Y, com o dobro de desempenho, e por isso o círculo está ainda menor, mesmo você gastando mais dinheiro.

            O produto Z é o mais caro entre eles, porém é o que tem mais custo-benefício real, ele custa 20% a mais que o produto Y, porém é 50% mais potente e por isso, seu círculo é ainda menor. Com isso conseguimos ver que nem sempre o produto mais barato pode ser considerado custo-benefício.

 

             Agora vamos à um exemplo prático. Suponhamos que você queira um PC Gamer com o melhor custo-benefício para 2020, você tem dinheiro o suficiente para gastar com um PC Gamer de 10 mil reais, mas não quer gastar sem necessidade. Além disso você sabe que é somente para jogos. Criei esta situação para excluir a parte do orçamento (depois veremos porquê).

            Sabemos que uma Vega 8 integrada é muito boa para jogos leves, aguentando até alguns jogos AAA em 720p 30~45FPS. Então comecemos com um PC Gamer que você viu em tal vídeo (que não será citado) ser o PC mais custo-benefício de 2019. Então vamos simular o orçamento, para isso usaremos o site Craft My Box (nem sempre é recomendável devido à escassez de produtos, mas para uma simulação de exemplo prático, é bem útil).

                         image.png.7ff28dcd4813f7eeb28ee406321dada2.png

            Foi escolhido uma placa-mãe barata (devido à simplicidade da configuração) e 2 pentes de 4GB de RAM, além de um HDD de 500GB. O preço é relativamente baixo, o que torna esta configuração uma combinação muito citada para quem tem um orçamento baixo. Por 1400 reais você vai ter um desempenho até que bom para jogos, e dependendo do seu uso, realmente vai te atender.

            Porém, ela é custo-benefício? Veremos agora, comparando com outra configuração, onde simplesmente vamos adicionar uma RX 570 (uma placa de vídeo que realmente tem ótimo custo-benefício, se for comprada sozinha) e trocar os 2 pentes de 4GB por um único de 8GB.

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           O preço aumentou bastante, cerca de 600 reais, mas essa configuração tem um preço menor pago pelo desempenho entregue em jogos. E porque eu digo isso? Veremos agora. Devido à considerarmos que é um PC exclusivamente para jogos, consideraremos o desempenho da placa de vídeo como principal base do desempenho de um computador para jogos.

           Na configuração citada acima, embora não seja uma que eu recomende, a RX 570 não está sendo limitada de nenhuma maneira. Então tomaremos como base o desempenho da Vega 8 como 100%, e o desempenho da RX 570 será calculado usando os seguintes gráficos.

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           Usando a 1060 como base e o desempenho gráfico referente ao 3200G (que tem a Vega 8 como solução integrada), conseguimos tirar que a RX 570 é cerca de 396,6% de uma Vega 8. Ou seja, é 296,6% mais potente. Para ver o verdadeiro custo benefício da configuração, voltemos ao gráfico inicial.

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           A configuração sem placa de vídeo é representada pela cor laranja, e a configuração com RX 570 é representada pela cor vermelha. Agora conseguimos ver bem mais claramente que, embora a primeira configuração seja bem mais barata, ela não tem custo-benefício nenhum comparado à segunda configuração, que tem um círculo cerca de 3 vezes menor, custando 600 reais mais caro.

          Qual é a conclusão a se tirar disso? Embora colocar uma peça melhor ou fazer uma boa configuração seja bem mais caro, ainda conseguimos um melhor custo-benefício.

          Há inúmeros fatores na decisão de compra para um PC Gamer, como orçamento, uso, peças já adquiridas. E por isso foi retirado esses fatores nesta análise, pois certamente, se alguém tem até 1400 reais para gastar com um computador, a primeira configuração é a melhor que ele pode adquirir. Porém esta configuração não deve ser considerada um bom custo-benefício.

          Ou também, a pessoa só quer jogar eSports e outros jogos leves, indies ou antigos. Então a primeira configuração vai atender completamente aos seus desejos. Ou ainda, a pessoa tem um monitor 720p e se contenta com 30FPS, seria desnecessário gastar mais de 1400 reais nesses casos, mesmo a pessoa tendo 8000 reais para comprar um PC.

          E mesmo a segunda configuração ainda não é a melhor custo-benefício de todas. Se formos comparar com outra configuração onde calculei o melhor custo-benefício possível sem considerar orçamento ou uso, vemos que precisaríamos gastar bem mais no PC Custo Benefício de 2020.

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          O preço chega a ser quase o dobro da segunda configuração, e mesmo assim ainda será um custo-benefício melhor, como veremos a seguir:

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          A terceira configuração é agora representada pela cor verde. Embora seja um pouco mais difícil de perceber, ainda é possível notar que o círculo é menor. Aqui, a configuração com 2060 Super, com um processador superior para não a limitar, é 909,5% de uma Vega 8, ou 809,5% mais potente.

          Portanto, nem sempre que alguém diz “tal configuração é custo-benefício” devido ao preço mais reduzido significa que a configuração citada é realmente custo-benefício. Você pode gastar um pouco à mais para ter uma configuração bem mais potente em jogos.

         

          Também existe “o melhor custo-benefício sem custar o olho da cara”, mas nesse caso, está se pedindo o melhor desempenho possível sem custar muito caro, o que pode ser confundido com custo-benefício. Porém, nesse caso entramos em outro problema: uma configuração pode ter o melhor desempenho naquele valor, mas não é a melhor custo-benefício.

          Temos por exemplo, em um orçamento de 3000 reais uma configuração como essa:

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          Mas por 2400 reais, conseguimos uma configuração como essa:

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          Existem várias diferenças, como um processador com maior desempenho, uma placa-mãe melhor construída, 8GB vs 16GB de RAM, 500GB vs 1TB de HDD, uma fonte melhor e um gabinete mais bem-feito. Porém essas coisas (exceto a RAM, que ainda não está limitando o sistema em ambos o orçamento) são variáveis e dependem do uso do comprador. São as coisas adicionais que tiram o custo-benefício, mas se fazem necessárias.

         Vemos que a segunda configuração tem um melhor custo-benefício no gráfico a seguir:

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         Aqui, a configuração mais barata é representada pela cor azul, enquanto a de 3000 reais está representada pela cor amarela. Como podemos ver, a configuração mais barata agora tem um custo-benefício melhor, pois o círculo é menor.

         Embora custo-benefício seja um bom fator para a decisão de uma configuração, é importante entender que muitas vezes você sacrificaria um pouco de custo benefício para se ter mais comodidades, ou um melhor uso de uma configuração.

         Eu por exemplo iria preferir a primeira configuração, mesmo tendo um custo-benefício pior. Porque? Porque eu prefiro uma jogabilidade fluida enquanto navego no Chrome, por exemplo. Não quero que o computador trave na hora que dou um simples Alt + TAB. Porque eu prefiro sacrificar o custo-benefício para ter uma sobrevida melhor, pois sei que ainda posso trocar de placa de vídeo mais algumas vezes antes do processador ficar sem fôlego pra lidar com os jogos mais atuais.

         Mas isso realmente torna a primeira configuração mais custo-benefício? Eu acredito que só a torna melhor considerando o geral. Ou seja, se você tem um orçamento, desconsidere o custo-benefício como causa principal, procure o melhor desempenho para o seu uso e as suas necessidades.

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Excelente explicação!

Como você mesmo disse, o custo/benefício não é uma constante, mas sim uma grande variável. Neste ponto, não é a relação do valor pelo desempenho, mas o quanto você está disposto a investir por este desempenho.

Um exemplo de processadores: Ryzen 1600 e Ryzen 3600. Na presente data, o 3600 custa praticamente o dobro do 1600, mas não possui o dobro de desempenho. Para um usuário menos exigente, o 1600 vale e muito mais sem precisar torrar o dinheiro, enquanto eu já considero o 1600 um péssimo custo/benefício, ao menos para a minha própria demanda. Nisto tudo, eu gostaria mesmo é do 3700X, mas custa no momento algo bem acima do que considero aceitável, e que mesmo assim, alguns outros podem achar o valor dele como um excelente custo/benefício.

 

Creio que o ponto central seja os vídeos (tenho ideia do que se refere) induzindo o consumidor leigo a comprar certos produtos sem pesquisar muito. Quando está por dentro da situação vai saber analisar os números, mas quem não faz ideia do que está preste a comprar, vai se basear de forma muito rasa. Infelizmente isto é parte do marketing e merchandising que é quase impossível evitar.

 

Aliás, poderia citar também a questão do desempenho a longo prazo, que por muitas vezes, apesar de pagar o dobro e não receber nem a metade de desempenho a mais, você consegue segurar sua demanda por muito mais tempo, o que chamam popularmente de "overkill".

Neste sentido, paguei um horror na época por minha GTX 1070, mas se eu tivesse pego uma 1060, já estaria me incomodando, teria que fritar a paciência escolhendo um modelo novo e ainda tentando vender a peça usada (já com preço caído), etc. Seria uma questão mais a fundo dos negócios.

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