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angela

Enchanted Arms

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esta altura, o Xbox 360 já conta com uma boa variedade de jogos, mas um gênero em particular ainda engatinha: o RPG. É verdade que o primeiro título do tipo para o console, "The Elder Scrolls IV: Oblivion", foi de arrasar - quiçá um dos melhores da história em todos os videogames. Mas, apesar do gênero ser primordial para o sucesso de um videogame no Japão, esse estilo "ocidental" também não agrada muito por lá.

Por isso, "Enchanted Arms" tem a missão de representar o gênero entre os japoneses. A produtora From Software seguiu a receita à risca, incluindo quase todos os maneirismos e lugares-comuns do jeito oriental de fazer RPG. E trouxe um pouco de novidade, porque ninguém é de ferro. O resultado é um jogo seguro, mas longe de empolgar.

UOL Analise

De estudante a salvador do mundo

"Enchanted Arms" é um RPG com batalhas em turnos. Os encontros com os inimigos, basicamente, são aleatórios, e não há ação envolvida nos combates. Todos os trejeitos do título levam aos games da série "Final Fantasy", talvez o oitavo episódio em particular, devido ao seu clima ligeiramente futurista.

A história não tem nada de original. Atsuma é um estudante relapso da universidade Enchant, especializada em magias. É uma espécie de Hogwarts, a escola do bruxinho Harry Potter, só que muito mais futurista. Nessa época, os encantos são banais, mas há mil anos a humanidade conhecia a arte mágica de construir criaturas artificiais, que ficaram conhecidas como golems. Mas, assim como aconteceu a revolta das máquinas no livro "Eu, Robô" de Isaac Asimov, essas criaturas também se voltaram contra seus mestres, iniciando uma grande guerra.

Os mais poderosos, chamados de devil golems, foram aprisionados. Nos primeiros capítulos do game, uma delas, conhecida como a rainha do gelo, fica livre e adivinhe para quem sobrou para salvar o mundo? Sim, o próprio Atsuma, que parece esconder um passado misterioso, pois ele possui um braço demoníaco.

Quem já viu algum RPG japonês, não encontrará muitas dificuldades. O roteiro é similar a vários do gênero: nas cidades - ou na universidade de onde a história começa -, fale com todo mundo até encontrar algum personagem que avance o enredo. Ou seja, usando as informações recebidas, o jogador tem que ir para o próximo destino.

Batalha de xadrez

Em meio a isso tudo, podem acontecer batalhas. No começo, são alguns colegas querendo tirar satisfações. Sendo assim, eles não são muito fortes, o que é ideal para pegar o jeito nos combates, onde se concentram as principais novidades. Na verdade, o sistema é similar ao de "Mega Man Battle Network", RPG da Capcom para Game Boy Advance.

Ou seja, há um componente de jogo de estratégia. Quando a batalha começa, seu grupo, de até quatro guerreiros, está espalhado numa arena retangular de 3 por 4 casas, assim como os inimigos, mas em seu próprio "campo", de igual tamanho. O intuito é deslocar os personagem e utilizar os diversos golpes. Cada um deles tem um alcance e uma área efetiva diferente. No final das contas, é como um quebra-cabeça, cujo intuito é posicionar os lutadores para que realizem seus melhores ataques. Se não gostar do movimento, basta cancelar e começar de novo. O turno apenas começa quando o jogador confirmar sua seleção.

Com isso, os combates ficam mais estratégicos, mas os inimigos, ao menos os que aparecem nas batalhas aleatórias, não costumam oferecer muita resistência. O ponto fraco é que tende a ficar mais comprido também, mas há um recurso automático em que próprio computador se encarrega de mexer as peças durante um turno. Não espere muita esperteza da máquina; ela apenas quebra um galho, mas é suficiente para os combates do dia-a-dia.

Já contra inimigos mais fortes e/ou chefes, o próprio jogador deve querer comandar pessoalmente o confronto. Contra esses oponentes mais resistentes, é necessário um mínimo de eficiência, senão o destino é refazer todo o trajeto desde o último "save". Além dos diversos golpes, chamados de "skills", há também os ataques EX, mais poderosos e abrangentes - alguns deles chegam a afetar todo o campo adversário. É claro que esse tipo de ofensiva gasta muito mais energia EP, necessária para usar os ataques e habilidades.

Criatura e criador

O seu grupo pode ser formado por personagens humanos - os integrantes dependem do roteiro - ou ter golems como reforço. O primeiro dessas criaturas você ganha, mas os seguintes devem ser criados pelo próprio jogador. Eles são feito nas lojas, que são representadas por uma estrutura que parece uma pedra preciosa preta.

Os requisitos para fabricar um golem é ter um "core" (núcleo), que pode ser comprado ou adquirido. Em suas andanças, você encontrará alguns monstros que já estão no mapa, e eles geralmente liberar os tais itens. Geralmente, eles são a base para reproduzir a criatura que você acabou de enfrentar. Depois, basta ter alguns outros ingredientes. No total, são mais de 100 desses golems espalhados pelo jogo inteiro. Cada um deles tem força e uma série de golpes particulares, e evoluem como um personagem comum.

Esse mesmo processo se aplica às armas dos personagens. Os seus golpes também são comprados. Mas, além de ter dinheiro, é preciso ter pontos chamados SP para aprender os ataques. A lista fica cada vez maior com o tempo, mas apenas cinco podem ser usados de cada vez.

O que ajuda a evitar perda de tempo é que seu grupo recupera a energia logo que o combate é encerrado, evitando chamar a tela de itens ou magias para curar os feridos. Isso não quer dizer que vai ser sempre assim: toda vez que recuperar o HP ou ser ressuscitado, gasta-se VP, pontos de vitalidade, e quando este chega a zero, o poder de cura se encerra. Nesse caso, é necessário visitar uma das estações de recuperação para encher o VP novamente.

As partes de exploração são simples. O caminho basicamente é linear, tendo um ou outro beco alternativo onde se escondem alguns baús e inimigos especiais. Há diversos dispositivos, mas quase todos eles se resumem a apertar o botão A para serem ativados. A aventura dura cerca de 40 horas. Mas se tiver como objetivo juntar todos os golems possíveis, o tempo é maior, é claro. Há alguns minigames, como bingo, roletas e caça-níqueis.

A coleção de monstros servirá para as modalidades multiplayer via Xbox Live. Nelas, você coloca seu grupo para enfrentar o time do outro jogador. As partidas podem valer ou não pontos para o ranking, mas a modalidade parece ter sido colocada apenas para estampar na capa que o game tem um multiplayer online. Se as batalhas tivessem a profundidade que tem um "Pokémon", por exemplo, poderia ser bem mais proveitoso.

Maquiagem digital

A produção visual lembra a de títulos como "Final Fantasy", mas sem a mesma sofisticação. As cenas em computação gráfica têm ótima qualidade, e até se aproximam do nível da produtora Square Enix. Essas cenas são usadas em longas tomadas de ação e de impacto. Ainda há outros tipos de cenas, feitas com a tecnologia do próprio game. Aqui também há boas animações e modelagem de personagens.

Os problemas começam com os cenários. Há até alguns belos, como o festival que aparece no começo do jogo, mas a maioria faz o estilo "bonitinho arrumadinho". Ou seja, os ambientes são simples e quadradinhos, mas mascarados com texturas bem definidas e iluminação exagerada. No final, fica até agradável, mas é pouco para um console de nova geração. O número de pessoas e objetos interativos também deixa a desejar, pois a maioria dos ambientes é deserta. As caixas e barris, quando quebram, simplesmente somem, sem deixar rastros.

As cenas de diálogos também incomodam. O texto é até competente, mas as animações dos avatares é totalmente robótica. Isso deixa o personagem Makoto, que tem estereótipo do homossexual - ao menos como os japoneses vêem um ### -, com trejeitos ainda mais carregados em faniquitos. Além do mais, a dublagem em inglês é ruim. Sendo assim, o melhor pode ser trocar as falas para o japonês, que ao menos, são mais competentes. Os textos continuam em inglês.

A leitura do DVD é rápido, e não incomoda ao trocar de tela ou entrar em batalha. Mas, por outro lado, o acesso ao disco rígido vai ficando cada vez mais penoso, podendo levar quase um minuto para salvar o jogo. O mais irritante é que a cada carregamento ou gravação, o jogo pergunta qual dispositivo você quer usar, mesmo que tenha apenas um.

A trilha sonora é tí#### de RPGs japoneses, misturando composições de gênero meio indefinido e algo que lembra orquestra. A música da batalha parece um pouco dramático demais, e por isso tende a cansar, mas, no geral, as escolhas caem bem com o clima do game. Os efeitos sonoros seguem a mesma qualidade.

RPG-padrão na nova geração

"Enchanted Arms" seguiu à risca a cartilha-padrão de produção de um RPG japonês. Se quase não há novidade, ao menos foi tudo feito com alguma qualidade e traz um sistema de batalha interessante e sem estresse, graças a opção de automatizar e de acelerar a animação. Por outro lado, a história possui clichês demais e os cenários são simples para um console de nova geração. Faltou um pouco de substância para ficar encantador.

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