Recentemente comprei um processador K6-233 e o instalei em uma placa-mãe ASUS Tx-97e. Como essa placa é ATX, tive que comprar um novo gabinete. O computador está uma beleza, porém aquece bastante o gabinete. Depois de 20 minutos ligado, eu retiro um CD ou um disquete e eles saem como da padaria, quentinhos. Eu sei que isso não é normal pois os computadores da minha empresa ficam ligados o tempo todo e o gabinete se mantém frio. Já verifiquei o arranjo dos cabos dentro do gabinete e a ventoinha do processador; tudo parece estar ok. Minha dúvida é em relação à ventoinha da fonte de alimentação. Essa fonte ATX é diferente. Verifiquei que seu ventilador puxa ar de fora do gabinete e joga praticamente em cima do processador, ao contrário dos outros computadores não-ATX, cuja fonte puxa o ar de dentro para fora, mantendo uma constante corrente de ar quente saindo de trás do micro, o que não acontece aqui. Eu percebo uma corrente bem tímida saindo pelos furos laterais na parte traseira, bem como o ar que entra pela fonte, atrás do gabinete. A última vez que vi um gabinete quente assim, o ventilador da fonte estava parado, o que não é o meu caso, como expliquei. Todas as fontes ATX são assim ou minha fonte está com a ventoinha invertida (será possível?)? O gabinete que estou usando é um Troni com fonte de 300 W.
As fontes de alimentação ATX realmente possuem a ventoinha girando ao contrário. Elas, em vez de jogar o ar para fora, joga o ar para dentro. Além dessa modificação, a ventoinha, em vez de ficar na parte traseira da fonte, passariam a ficar na parte de baixo da fonte, jogando o ar diretamente sobre o processador e a placa-mãe.
Ao que parece, há um erro de projeto desta fonte que você está utilizando. Com isso, há uma diferença térmica justamente sobre a unidade de CD-ROM. O que ocorre: o ar quente sobe e, em vez de estar saindo, a fonte está jogando ar frio sobre ele, justamente nessa área, trazendo problemas de superaquecimento ao seu micro.
A solução mais rápida e prática é a inversão da ventoinha da fonte de alimentação, para que, em vez de o ar (frio) seja jogado para dentro da fonte, o ar (quente) saia, resolvendo o problema. (Resposta dada por Gabriel Torres)
Ao que tudo leva a crer, o seu problema encontra-se exatamente no setor de ventilação interna do seu micro, como ilustrarei abaixo.
Tem-se, por estudos físicos, a agitação molecular, que nada mais é do que partículas em movimento desordenados (em ziguezague) continuamente bombardeando outras partículas e em todas as direções. Muito bem, falando de forma resumida, se há movimento, há energia cinética e quanto maior a temperatura, maior a energia cinética, ou seja, maior a agitação molecular. Isto terá influência direta na densidade, cuja fórmula é D=M/V (onde D é a densidade, M a massa e V o volume). O estudo se tornaria bem mais complexo se viéssemos a falar sobre a energia cinética média por molécula de gás cuja fórmula é Ec=(3nRT)/(2N), mas isto seria aprofundar desnecessariamente...
Acompanhe agora o raciocínio: Maior temperatura acarreta maior agitação molecular que por sua vez, provocará a necessidade de mais espaço para os devidos movimentos em ziguezague. Isto implicará numa menor massa molecular, em tal "região". Como o volume é constante, diminui-se assim a densidade. Compare com pessoas dançando num salão. Se resolverem fazer passadas largas, precisarão de mais espaço, logo diminuirá o número possível de pessoas dançando, mas o volume do salão permanecerá inalterado, logo a densidade diminuirá.
Com o ar frio ocorre o oposto, ou seja, menor a agitação molecular, consequentemente moléculas mais próximas umas das outras, o que provocará um aumento na massa (maior número de moléculas no mesmo volume), que por sua vez provocará um aumento na densidade.
Como conseqüência, o ar de maior densidade (mais frio) desce e o ar com menor densidade (mais quente) sobe. Este é inclusive o princípio da convecção térmica (água fervendo por exemplo) que consiste no transporte de energia térmica de uma região para outra através do transporte de matéria, mas já seria outro papo! :))
Ora tudo isto ocorre no seu micro. Ao aquecer os componentes internos, o ar quente sobe e se houver uma ventoinha na parte superior jogando este ar (quente) para fora, então não haverá super-aquecimento. Note que baseado neste princípio, não faria sentido ter um ventilador fazendo o oposto, ou seja, jogando ar frio para dentro, do seu computador, pois o ar quente não estaria saindo, por não se falar na hipótese, embora remota neste caso, de choque térmico sobre os componentes eletrônicos.
Assim, por uma conclusão lógica, imagino que invertendo o sentido de rotação da hélice do seu ventilador, jogando assim o ar quente para fora da máquina, estará resolvido o seu problema. (Resposta dada por Adriano Brigagão, professor de física)
Retorno do usuário:
Olá, Gabriel. Em relação à minha pergunta sobre o problema do aquecimento, recebi sua resposta e a do Prof. Adriano Brigagão e segui a recomendação de inverter o sentido de rotação da ventoinha. Deixei em teste por dois dias e o problema foi solucionado. No entanto, para que desse certo eu ainda tive que fazer uma adaptação: nessa fonte ATX, a ventoinha fica numa posição bem diferente das fontes comuns, conforme eu ilustrei na figura a seguir.

Figura 1: Modificação executada.
Invertendo o sentido de rotação da ventoinha, diminuiu bastante o aquecimento, mas apenas do lado da ventoinha e em cima. O lado oposto continuava bem quente. Talvez devido à posição da ventoinha dentro da fonte e em relação ao gabinete.
Comparando os dois tipos na prática, pelo menos quanto à refrigeração, o sistema antigo era muito mais eficiente que a fonte ATX do meu gabinete Troni. Como não era possível instalar uma fonte comum porque a placa-mãe é ATX, instalamos com sucesso uma segunda ventoinha (retirada de uma fonte comum) na parte traseira da outra (vide figura).
Ficou ótimo: gabinete frio, boa corrente de ar saindo atrás do gabinete, nada de disquetes-torrada ou CDs-panqueca.