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Telefones Celulares Que Explodem
18/05/2006 às 13h35min por Alessandra Carneiro em Artigos
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Nos últimos dois anos, foram registradas dez explosões de baterias de celular no Brasil. A maioria de aparelhos Motorola equipados com baterias piratas ou contrabandeadas. Nos Estados Unidos o número é ainda mais alarmante. Em dois anos foram registrados 83 casos de explosões de celulares. A maior parte deles, segundo o órgão de proteção ao consumidor do país, provocada por uso inadequado das baterias e recarregadores.

Para evitar problemas, a Kyocera lançou recentemente um sistema de segurança que impede o uso de baterias falsificadas ou não-certificadas em todos os aparelhos de sua fabricação. A novidade chega primeiro ao exterior, mas a empresa promete que o próximo lançamento no Brasil já terá o recurso, baseado em um tipo de codificação.

A própria Anatel reconhece o perigo. Devido ao grande o número de baterias importadas no mercado, além de equipamentos recondicionados e sem garantias técnicas, a agência edita até o fim de agosto uma regulamentação que torna obrigatória a certificação de baterias de celular.

Mas por que esses acidentes começaram a ser mais freqüentes nos últimos anos? Além de cada vez mais pessoas terem um aparelho de celular (só no Brasil são quase 89 milhões, dados da Anatel para março), hoje a bateria mais usada é a de Li-ion (íons de lítio). Tudo bem que elas oferecem muitas vantagens: chegam a durar o dobro de uma bateria de NiMH e três vezes mais que uma NiCd (níquel-cádmio), pesam 35% a menos que esses modelos, não sofrem o chamado efeito memória e são mais ecológicas, já que não contêm materiais tóxicos ao meio ambiente, como o cádmio.

Por outro lado, elas exigem mais cuidados. São esses modelos que, sob altas temperaturas, explodem mais facilmente. Os fabricantes lembram que a temperatura ideal para o armazenamento dessas baterias é abaixo de 25ºC. Sabemos que isso não é possível sempre, mas alguns cuidados podem (e devem!) ser tomados. Deve-se evitar, por exemplo, que a bateria seja exposta a temperaturas acima de 50ºC ou à luz direta do sol. Vale lembrar que aquelas capas de plástico esquentam demais o aparelho, além de bloquear a ventilação. Levar o celular no bolso também não é o mais indicado, principalmente em dias quentes.

No entanto, não é só o calor que pode danificar as baterias de Li-ion. Como elas são mais frágeis, tome cuidado com choques e quedas. Rachaduras podem danificar o circuito interno. Então, não custa nada cada vez que seu celular levar um tombo, verificar se está tudo em ordem com sua bateria. O contato com líquidos, umidade, maresia e vapor d’água causa oxidação. Ou seja: tudo isso pode, sim, levar a bateria ao superaquecimento ou a um curto-circuito e, conseqüentemente, a uma explosão.

A seguir, listamos alguns cuidados que devem ser tomados com as baterias de Li-ion, tanto para evitar acidentes, como também para prolongar sua vida útil:

  • Não há problemas em carregar uma bateria de Li-ion com freqüência, mas carregá-la por mais tempo do que o necessário pode diminuir seu tempo de vida. Sabe aquele hábito de colocar o celular para carregar e ir dormir? Tente mudá-lo.
  • Se o aparelho for ficar muito tempo sem uso, o ideal é que seja guardado com apenas 40% da capacidade da bateria. Mesmo quando não estiver sendo usada, a bateria perde carga e, conseqüentemente, tempo de vida. De acordo com um estudo desenvolvido pelo site BatteryUniversity.com, uma bateria de Li-ion armazenada com 40% de sua carga numa temperatura média de 25ºC perde 4% de sua capacidade em um ano. Já com ela totalmente carregada, a perda no mesmo tempo é de 20%.
  • Na praia, tome muito cuidado. Deixe o celular à sombra para não superaquecê-lo. Água, umidade, maresia e areia podem oxidar o circuito interno, causando um curto-circuito, principalmente se a bateria tiver qualquer dano (uma rachadura mínima pode deixar seu frágil circuito completamente desprotegido).
  • Molhou o celular? Remova a bateria e deixe-o secar completamente antes de recolocá-la.
  • Alguns fabricantes também alertam para locais muito frios. Quando o aparelho aquecer, atingindo a temperatura normal de operação, poderá haver formação de umidade interna, causando danos ao circuito interno.
  • Não deixe o celular dentro de um carro quente e tome cuidado ao manuseá-lo na cozinha (evite deixá-lo perto do fogão e do microondas).
  • Não leve o celular no bolso.
  • Não use capas de plástico.
  • Nunca abra uma bateria de Li-ion.
  • Use apenas carregadores originais. Aqueles genéricos vendidos em sinais de trânsito ou em camelôs podem ter uma voltagem diferente da especificada pelo fabricante. Além disso, muitas empresas invalidam a garantia quando baterias e acessórios não-originais são usados.
  • Mantenha a bateria distante de objetos metálicos. Se uma moeda, por exemplo, causar contato direto entre os pólos positivo e negativo da bateria, pode ocorrer um curto-circuito.
  • As baterias de Li-ion são usadas não só em celulares, mas em muitos eletrônicos, como MP3 players, câmeras digitais e laptops. Os cuidados devem ser os mesmos.
  • Se mesmo com todos esses cuidados o equipamento estiver esquentando demais, leve-o a uma assistência técnica.
AUTOR
Alessandra Carneiro
Alessandra Carneiro
Editora de Notícias

Alessandra Carneiro é jornalista formada em 2000 pela Facha, com pós-graduação em Comunicação Empresarial pela Cândido Mendes e foi nossa Editora de Notícias. Começou no Cadê? com dicas de Internet, já foi subeditora do caderno Internet & Tecnologia do jornal O Dia, e agora é editora de conteúdo da Globo.com. Divide seu tempo livre entre séries de TV, novos gadgets, downloads de novas bandas de rock e um cão labrador chamado Spike.

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