A pastilha de silício do processador é feita dentro de um forno e a freqüência de operação máxima dessa pastilha é desconhecida até que ela saia do forno. Após ela sair do forno, ela é inserida em uma máquina que testa a pastilha para ver se ela foi fabricada corretamente e também a freqüência máxima que ela suporta trabalhar.
O fabricante rotula o processador de acordo com esta informação, dentro de um limite de tolerância e também de acordo com as freqüências de operação que ele utiliza comercialmente. Por exemplo, a máquina que testa o processador na fábrica pode verificar que ele trabalha corretamente até 570 MHz, mas o fabricante irá rotulá-lo como sendo de 550 MHz, que é o valor comercial mais próximo. É por esse motivo que o overclock pode funcionar.
O overclock pode ser efetuado porque o processador não sabe qual é a sua freqüência de operação. É o técnico quem configura a sua freqüência de operação do processador através de jumpers existentes na placa-mãe. Se você utilizar configurações acima do especificado, o processador simplesmente aceita.
Tradicionalmente, as placas-mãe possuem três configurações básicas que devem ser feitas quando instalamos um processador nela: freqüência de operação externa, multiplicação de clock e tensão de alimentação do processador.
Por exemplo, um Celeron-566 deve ser configurado com uma freqüência de operação externa de 66 MHz e multiplicação de clock de 8,5 vezes (por enquanto deixaremos de fora a tensão de alimentação).
Antigamente era possível executarmos dois tipos de overclock: o da multiplicação de clock e o da freqüência de operação externa. Por exemplo, você poderia pegar um Pentium-100 e alterar a sua multiplicação de clock de 1,5x para 2x. Assim, o processador "pensava" que era um Pentium-133 e, caso o overclock desse certo (isto é, o micro ligasse), você teria um Pentium-133 pelo preço de um Pentium-100.
Outra vantagem do overclock da multiplicação de clock é que os componentes externos ao processador (memória RAM, chipset, placa de vídeo, etc) continuam trabalhando na mesma freqüência de operação durante o overclock (66 MHz para o exemplo dado), fazendo com que as chances do overclock funcionar sejam maiores.
Só que pessoas inescrupulosas começaram a falsificar processadores utilizando essa técnica. Os falsificadores pegavam processadores que conseguiam trabalhar em overclock, raspavam o corpo do processador e decalcavam outra coisa. Por exemplo, um Pentium-100 que conseguisse funcionar a 133 MHz era raspado e rotulado como se fosse um Pentium-133 pelo falsificador. Acontece que o overclock nem sempre funciona e não era raro esse tipo de processador começar a apresentar problemas com o passar do tempo (tipicamente o micro congelar ou apresentar resets aleatórios). Nós já publicamos um artigo completo sobre esse assunto, que pode ser lido em nosso artigo Falsificação de Processadores Pentium.
Por causa disso, desde o Pentium MMX a Intel criou uma proteção contra overclock da multiplicação de clock. Com isso, você não conseguirá aumentar a multiplicação de clock de nenhum processador atual. Em outras palavras, você não conseguirá alterar a multiplicação de clock de um Pentium II-400 de 4x para 4,5x na esperança de "transformá-lo" em um Pentium II de 450 MHz. O processador não aceita essa configuração.
Entretanto, o overclock da freqüência de operação externa continua sendo possível e é essa a técnica atualmente utilizada para efetuarmos o overclock do processador. |