Visita às Fábricas da ECS/PCChips em Shen Zhen, China
Por Gabriel Torres em 28 de outubro de 2003
Introdução
Durante a nossa viagem à Taiwan, nós fomos convidados a visitar as fábricas da ECS/PCChips localizadas na cidade de ShenZhen (a pronúncia correta é "tchên-diên"), província de Guangdong, China Continental. Esta viagem foi uma experiência única, em vários sentidos, e por isso vale a pena falar um pouco mais de vários aspectos da viagem – além, é claro, das visitas às fábricas em si. Só para adiantar um pouco o assunto, visitamos duas fábricas: ECSM (ECS Manufacturing), que é um complexo de dois prédios gigantescos onde as placas-mãe, notebooks, etc são fabricados, e a Biloda, que fabrica as placas de circuito impresso que são usadas nas placas-mãe ECS e PCChips.
Chegar em ShenZhen é uma aventura. Como estávamos em Taiwan, tivemos de viajar uma hora de avião até Hong Kong e, de lá, pegamos um ônibus e enfrentamos mais uma hora (65 Km) até ShenZhen. Apesar de ShenZhen ter um aeroporto internacional, não é possível pegar um avião em Taiwan para ShenZhen, por conta do problema político entre China e Taiwan.
Hong Kong é uma Zona sob Administração Especial, o que significa que, apesar de pertencer à China Continental, Hong Kong tem um tratamento como se fosse um outro país. Lá tudo é diferente do restante da China, incluindo a moeda e o sistema de direção (que é o inglês). Brasileiros não precisam de visto para entrar em Hong Kong, mas para entrar na China, sim.
ShenZhen fica ao lado de Hong Kong, como vocês podem ver no mapa, e é uma Zona Econômica Especial, isto é, é uma célula capitalista dentro de um país comunista.
Figura 1: Mapa do sul da China, localização de ShenZhen e Hong Kong.A quantidade de oficiais de alfândega que temos que cruzar até chegar em ShenZhen é incrível, o que fez com que o nosso passaporte fosse carimbado de tudo quanto é maneira. Veja: saída de Taiwan, entrada em Hong Kong, saída de Hong Kong, entrada em ShenZhen. Quatro carimbos na ida e mais quatro na volta.
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Figura 2: Visão de Hong Kong a caminho de ShenZhen.ShenZhen é uma cidade muito grande, maior do que o Rio de Janeiro, com 7 milhões de habitantes. Ficamos realmente muito surpresos. É uma cidade capitalista para ninguém botar defeito, com muitas coisas funcionando 24 horas por dia. Grandes letreiros de neon são vistos em todos os lugares, lembrando Las Vegas ou Atlantic City.
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Figura 3: Visão de ShenZhen à noite.ShenZhen é um centro industrial, onde as principais fábricas de produtos eletrônicos estão instaladas. Os funcionários que trabalham nas linhas de montagem normalmente vêm das cidades do interior para trabalhar muito e juntar dinheiro para retornar à sua cidade. O chinês típico trabalha muito e descansa pouco. Vendo ShenZhen entendemos o medo dos EUA em relação à China. ShenZhen existe há apenas 20 anos e é uma potência capitalista. Imagina só o dia em que a China toda for capitalista. Não será páreo para os EUA.
Junto com esta migração, o lado negativo, presente em todas as cidades deste porte. Ao cair da noite, começam aparecer mendigos e prostitutas na porta dos hotéis da cidade.
Aproveitamos para conhecer o mercado de informática de ShenZhen. Mercados como o do Ed. Av. Central no Rio, da R. Santa Ifigênia e 25 de março em São Paulo e o mercado Paraguaio são todos imitações do mercado de ShenZhen, onde em um pequeno espaço centenas de pequenos estandes se aglomeram. Só que o mercado de ShenZhen faz os mercados do Rio, São Paulo e Ciudad Del Este parecerem brincadeira de criança. O principal mercado de informática está instalado em um prédio de oito andares, onde cada andar tem mais estandes do que o Ed. Av. Central inteiro. Então imagina a loucura que é. Os dois primeiros andares são destinados somente à venda de componentes eletrônicos, tais como transistores e circuitos integrados (em muitos casos roubados por funcionários que trabalham nas fábricas), e os demais seis andares são destinados à venda de peças de hardware. Por incrível que pareça, os preços não são tão baratos quanto imaginávamos, e com isso não compramos nada.
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Figura 4: ShenZhen de dia.
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Figura 5: Jogos dos sete erros: o que há de errado com esta foto (dica: o carro da esquerda é de ShenZhen e o da direita é de Hong Kong).Depois desta introdução a ShenZhen, vamos a nossa visita à principal fábrica da ECS/PCChips.
Fábrica da ECMS (ECS Manufacturing)
Esta fábrica consiste em um complexo contendo três prédios, chamados 5, 20 e 26. O prédio 5 não está ainda em atividades (está esperando ainda aprovação do governo de ShenZhen) e por isso não o visitamos. O prédio 20, que é onde a maioria das placas-mãe ECS e PCChips são fabricadas, tem 10 andares e é gigantesco. Já o prédio 26, que também visitamos, tem seis andares e é onde os notebooks e sistemas (mini PCs e PCs de clientes) são fabricados, em dois andares, e outros três andares são também dedicados à fabricação de placas-mãe.
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Figura 6: Fábrica 20, visto do topo do prédio 26.
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Figura 7: Fábrica 26, visto do topo do prédio 20.A capacidade total de fabricação de placas-mãe deste complexo da ECS é de 2,5 milhões de placas-mãe por mês. Atualmente ela fabrica 2 milhões de placas-mãe por mês. É importante notar que até 2001 a ECS era a maior fábrica de placas-mãe do mundo, tendo sido ultrapassada em 2002 pela ASUS. Ou seja, o ranking atual de fabricação de placas-mãe é ASUS em 1º e ECS/PCChips em 2º. O pessoal da ECS espera recuperar a primeira posição neste ano ou no máximo em 2004.
Fábrica 20
Em seguida mostramos algumas fotos da fábrica 20. Como falamos, esta fábrica é gigantesca e fica até difícil mostrar o seu real tamanho através de fotos. Mas vamos tentar. Na Figura 8 vemos o elevador da fábrica, decorado com placas-mãe (sonho de qualquer nerd, não?), e nos corredores vimos caixas e mais caixas de placas-mãe ECS, PCChips e Matsonic (para quem não sabe, as placas-mãe Matsonic são PCChips e a prova é a presença delas na fábrica da PCChips).
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Figura 8: Elevador da fábrica 20.
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Figura 9: Caixas da nossa velha conhecida...
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Figura 10: Para quem ainda tinha dúvidas se a Matsonic era ou não PCChips...Fábrica 20
As linhas de produção são gigantescas. A fábrica 20 tem dois andares com 11 linhas de inserção de componentes SMD cada na ala sul e dois andares com 12 linhas de inserção SMD cada na ala norte, ou seja, um total de 46 linhas SMD.
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Figura 11: Algumas das 46 linhas SMD da ECSM.Já a área de inserção manual é um pouco menor, sendo dois andares com quatro linhas cada, dando um total de oito linhas para a inserção manual de componentes. As linhas são extremamente longas, como vemos na Figura 12.
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Figura 12: Uma das oito linhas de inserção manual da fábrica 20.
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Figura 13: Detalhe da linha de inserção manual.A terceira etapa na fabricação de uma placa-mãe é o teste. A fábrica 20 conta com dois andares com quatro linhas de teste cada na ala sul e mais dois andares com duas linhas de teste cada, ou seja, a fábrica 20 tem um total de 12 linhas de teste. Todas as placas-mãe são testadas individualmente. Os testes se processam em duas etapas. Na primeira etapa, são efetuados testes mais simples, verificando se a placa-mãe funciona (liga). Na segunda etapa, são testados de forma aprofundada todos os componentes da placa-mãe. O importante a ser notado é que todas as placas-mãe da ECS/PCChips são testadas na fábrica.
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Figura 14: Primeira etapa de testes.
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Figura 15: Uma das linhas de testes (segunda etapa).Fábrica 26 da ECMS
A fábrica 26 tem menos andares mas não por isto ela é menor. São três andares dedicados à fabricação de placas-mãe, especialmente de notebooks e desknotes, com 14 linhas SMD em cada andar (total de 42 linhas SMD) e 8 linhas de inserção manual em cada andar (total de 24 linhas de inserção manual). Outros dois andares são dedicados à fabricação de notebooks, desknotes e sistemas (mini PCs, por exemplo). Nestes andares há 3 linhas retas para a fabricação de notebooks, seis linhas em formato célula para a fabricação de notebooks e mini-PCs, e três linhas para a montagem de sistemas.
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Figura 16: Visão geral de duas linhas de fabricação de notebooks.
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Figura 17: Detalhe de uma das linhas de fabricação de notebooks.
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Figura 18: Clonagem dos HDs dos notebooks.Fábrica 26 (Continuação)
Todos os notebooks ECS são testados por 24 horas (burn in), como conferimos na Figura 19.
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Figura 19: Área de testes (burn-in) dos notebooks ECS.
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Figura 20: Uma das linhas de montagem em célula, onde o mini PC da ECS/PCChips estava sendo montado.Em uma das linhas em célula, tivemos um flagrante de algo interessantíssimo. É a ECS quem fabrica os PCs da Acer. Isto mesmo, você leu certo. A fabricação da Acer é terceirizada para a ECS. Perguntamos ao pessoal da ECS sobre isto e eles informaram que tudo dos micros da Acer é fabricado pela ECS, inclusive a placa-mãe. Ainda não está convencido? Olhe o logotipo na camiseta da operária e veja qual é o logotipo no gabinete que ela está montando na Figura 21.
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Figura 21: Surpresa: micros da Acer são fabricados pela ECS.
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Figura 22: Funcionária da ECSM empacotando micros da Acer.Depois de termos visitado o complexo da ECSM, visitamos, no dia seguinte, a fábrica de placas de circuito impresso da ECS, chamada Biloda.
Fábrica da Biloda
Como comentamos, a Biloda é a fábrica de placas de circuito impresso da ECS. Ela fica em outra cidade na província de ShenZhen, chamada Bao An. A capacidade de produção desta fábrica é de mais de 168 mil metros quadrados de placas de circuito impresso por mês. Para você ter uma idéia do quanto é isso, uma placa-mãe ATX mede 30 cm x 28 cm (840 centímetros quadrados ou 0,084 metro quadrado). Com uma capacidade de produção de 168 mil metros quadrados é possível a fabricação de até 2 milhões de placas de circuito impresso do tamanho ATX, ou mais do que isso se o tamanho for menor.
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Figura 23: Biloda, fábrica de placas de circuito impresso da ECS.O processo de fabricação de placas de circuito impresso se divide em várias etapas. Estaremos mostrando as principais etapas que pudemos conferir de perto em nossa visita.
Na Figura 24 nós vemos a etapa de perfuração. As placas, inicialmente totalmente de cobre, são furadas de acordo com o projeto. No meio você vê as placas de cobre antes de serem furadas e no entorno você verifica as máquinas responsáveis por fazerem os furos nas placas.
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Figura 24: Etapa de perfuração.
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Figura 25: Placa de cobre antes de ser perfurada.
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Figura 26: Máquina perfurando a placa de cobre. A placa é protegida com um papel de alumínio.Após a etapa de perfuração a placa é limpa por um funcionário (ver Figura 27).
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Figura 27: Limpeza da placa após perfuração.Fábrica da Bilota (Continuação)
As demais etapas incluem a marcação das trilhas, adição de camadas e aplicação de verniz protetor. Entre cada etapa há sempre testes para controle de qualidade.
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Figura 28: Marcação das trilhas.
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Figura 29: Prensagem das camadas internas.
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Figura 30: Aplicação do verniz externo (no caso, roxo).
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Figura 31: Teste da placa.Originalmente em http://www.clubedohardware.com.br/artigos/132
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