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Minha história profissional - Parte 5

       
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Acompanhe o relato detalhado da carreira profissional de Gabriel Torres, dono do site Clube do Hardware. Esta parte cobre o ano de 1993 e seu primeiro emprego.

Minha história profissional - Parte 5
Gabriel Torres Editor executivo do Clube do Hardware

Ufa, finalmente arrumei um tempo aqui para continuar contando a minha história, realmente fiquei em falta com vocês. Se você perdeu as demais partes dessa série: Parte 1, Parte 2, Parte 3, Parte 4.

Na parte 4 terminei falando que em março de 1993 fui convidado para trabalhar na mesma escola técnica onde eu tinha estudado (Instituto de Tecnologia ORT). Este foi um marco importante na minha carreira.

Nessa época eu já estava trabalhando como autônomo consertando PCs e a carga horária que eles demandavam era apenas meio-expediente, então era perfeito para mim, pois eu teria um emprego fixo de meio expediente que me dava tempo para todas as minhas outras atividades – estudar, consertar computador e tentar arrumar uma namorada.

Eu comecei lá ganhando a impressionante soma de 2 milhões e 300 mil cruzeiros – eu já era milionário no início de carreira e nunca tinha me dado conta disso! Bem o salário mínimo na época era de Cr$ 2 milhões, logo esta bolada toda equivalia a mais ou menos R$ 470 em dinheiro de hoje.

A escola na época tinha vários computadores (tudo PC XT na época) e quase metade estava parada com problema. Em menos de um mês eu coloquei todos os computadores para funcionar e organizei um sistema de manutenção preventiva que resolveu o problema de ter computadores parados, diminuindo a minha carga de trabalho.

Com tempo disponível e um laboratório à disposição, comecei a estudar cada vez mais sobre hardware de PCs. O problema era que na época não havia Internet e os livros eram raros.

Livros importados a gente tinha que ir a uma livraria no centro do Rio chamada Interciência onde podíamos encomendar, mas para isso tínhamos que saber o nome do livro, esperar três meses o livro chegar e pagar uma fortuna. O problema é que eu tinha que arrumar recomendações de nomes de livros, e isso normalmente vinha de algum amigo ou colega que já tinha o livro, fazendo com que os livros que eu lia estarem defasados e provavelmente não serem os melhores. Hoje é uma maravilha, com a Internet qualquer pessoa que quer estudar a fundo algum assunto consegue rapidamente, não só pelas informações disponíveis mas pela facilidade de se comprar livros.

Livros traduzidos tinham dois problemas. Normalmente eram publicados defasados e continham vários erros de tradução, que tornava o texto muitas vezes de impossível compreensão.

Livros de autores nacionais não existiam. Existiam algumas apostilas que algumas lojas de componentes eletrônicos vendiam, mas na realidade eram apenas uma coletânea de datasheets e algumas informações muito esparsas. Até que apareceu a apostila do Laércio Vasconcelos, vendida no jornal Balcão do Rio de Janeiro, que me ajudou muito a entender mais sobre computadores mais “modernos” (já que no meu trabalho, como mencionei, só havia PC XT).

Meu rumo profissional teve uma nova direção quando o meu amigo Marcelo Abramovitz, que havia estudado comigo no 2º grau, apareceu um dia na escola dizendo que daquele dia em diante ele estaria sendo meu estagiário e que era para eu ensinar para ele tudo o que eu sabia. Ele não pediu permissão, ele simplesmente me informou. Ele estava precisando cumprir as horas de estágio dele e resolveu que a melhor forma de fazer isso seria aprendendo sobre manutenção de micros comigo.

O Marceleza era um aventureiro. Depois que eu passei tudo o que eu sabia sobre hardware de PCs para ele e como a manutenção dos computadores estava “em dia”, tínhamos tempo disponível, um laboratório à disposição e o mais importante, equipamentos (tais como osciloscópios). Daí ele mandou um “Gabriel, já viu que tem um monte de televisão parada ali no almoxarifado, vamos consertá-las?”. Encaramos o desafio. A gente foi na Antenna Edições Técnicas no centro do Rio, compramos os esquemáticos das TVs e vários meses e muitos choques depois havíamos consertado todas.

Em seguida, o Marcelo resolveu que a gente tinha de fazer bico consertando TVs. A gente alugou um osciloscópio (comprar estava fora de cogitação) e consertamos algumas TVs na casa dele. Coisa de maluco, porque no final das contas não ganhamos dinheiro e estávamos mais a fim de aprender mais sobre eletrônica e ver se aquilo dava dinheiro (resposta: não, pelo menos perto da trabalheira que estava sendo ir à casa de alguém, pegar uma TV, levar para casa dele, consertar e devolver).

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Marcelo Abramovitz e eu em nosso laboratório no Instituto de Tecnologia ORT.

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Marcelo dentro do nosso laboratório.

Editado por Gabriel Torres

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