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A Faixa de 450 MHz e a Rede Celular Rural no Brasil

       
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 14 comentários

Entenda como a faixa de 450 MHz do espectro é usada por redes de telefonia celular “rurais” no Brasil, quais operadoras estão habilitadas a operar nessa faixa e o cronograma de desenvolvimento das redes de telefonia “rurais”.

A Faixa de 450 MHz e a Rede Celular Rural no Brasil
Gabriel Torres Editor executivo do Clube do Hardware

No Brasil, a Anatel definiu que a faixa entre 400 MHz e 500 MHz do espectro (também chamada de “450 MHz”) deve ser usada por redes de telefonia celular “rurais”, como parte do plano de expansão ao acesso à Internet de banda larga no Brasil. Neste tutorial, nós explicaremos como essa faixa é dividida, quais operadoras estão habilitadas a operar nesta faixa e o cronograma imposto pela Anatel para o desenvolvimento das redes de telefonia “rurais”.

Essa faixa foi dividida em duas bandas de 7 MHz cada. A primeira, de 451 MHz a 458 MHz, é usada para uplink, isto é, para a transmissão do usuário à estação rádio base. A segunda, de 461 MHz a 468 MHz, é usada para downlink, isto é, para a transmissão da estação rádio base ao usuário. Ver Figura 1.

Faixa de 450 MHz
Figura 1: Uso da faixa de 450 MHz

Por conta da falta de interesse das operadoras de telefonia celular em operar nesta fatia do mercado, a Anatel colocou como condição para as empresas vencedoras do leilão das subfaixas W, V1, V2 e X das faixas de 2,5 GHz e 2,6 GHz, que são usadas pelas redes 4G “urbanas”, o desenvolvimento das redes “rurais”, para expandir o máximo possível o acesso banda larga à Internet para a população brasileira, em particular em escolas rurais. Na tabela abaixo, mostramos as operadoras habilitadas a operar redes “rurais”.

Operadora

Região

Claro

AC, AM, AP, BA, Grande SP, MA, PA, RO, RR e TO

Oi

DF, GO, MS, MT e RS

TIM

ES, PR, RJ e SC

Vivo

AL, CE, MG, PB, PE, PI, RN, SE e SP (Interior)

Além de obrigar as operadoras vencedoras do leilão das subfaixas 4G “urbanas” a criarem redes de telefonia celular “rurais”, as regras de licitação da Anatel também estabelecem um cronograma bastante rígido de padrões mínimos para essas redes: ter 30% dos municípios “rurais” brasileiros com acesso à Internet banda larga até 31 de dezembro de 2013, ter 60% dos municípios “rurais” com cobertura até 31 de dezembro de 2014 e ter 100% dos municípios “rurais” com cobertura até 31 de dezembro de 2015, com taxas de download de pelo menos 256 kbps e taxas de upload de pelo menos 128 kbps (com franquia mensal de pelo menos 250 MB de tráfego para usuários de varejo e sem limite de tráfego para escolas rurais), e com estes valores aumentados para 1 Mbps e 256 kbps (e franquia de pelo menos 500 MB de tráfego para usuários de varejo e sem limite de tráfego para escolas rurais), respectivamente, até 31 de dezembro de 2017.

Bibliografia

ANATEL. Edital de licitação das faixas de 450 MHz e de 2,5 GHz. Brasília: Anatel, 2012. 18 p.

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Comentários de usuários


Marockosu, espero que elas percam a concessão caso não cumpram as metas, mas acho que isso vale os dois rins, pulmões e o coração, pelo menos.

Essas franquias são ridículas, vai dar pra uma vídeo conferência e um vídeo, por mês..

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O que o Evandro fala é o mais importante: as redes rurais tem de ser criadas ou as operadoras perdem as concessões das redes 4G urbanas, por isso acho muito provável que elas cumpram os prazos. Lembrando ainda que a instalação das redes 4G urbanas está sendo feita dentro dos prazos, pelo menos até o momento (escreverei tutoriais sobre as redes 4G urbanas em breve).

O problema principal dessa faixa de frequência é que como a frequencia é baixa, os canais dentro de cada banda são curtos e a largura de banda é bastante limitada em relação às demais faixas de frequência, em particular a de 2,5 GHz usada por redes 4G urbanas. As franquias são mínimas, note bem, e obviamente as operadoras podem oferecer mais. Isso foi um detalhe que me esqueci de explicar no tutorial.

Editado por Gabriel Torres

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É impressão minha ou só vai ter uma operadora por estado que irá prestar o serviço de 4G rural??? Eu pergunto por causa da tabelinha postada na matéria ... Se for isso, é garantia de 100% de que o serviço fique muito caro e um lixo.... Que aliás, a telefonia no Brasil já é um lixo mesmo tendo concorrência (vulgo oligopólio) , imagina se segui a divisão da tabelinha...

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Também achei isso, ainda bem que não sou fã de internet móvel, mais se depender de mim pra OI(ficou em GO) sobreviver, vai falir, nunca mais...

É impressão minha ou só vai ter uma operadora por estado que irá prestar o serviço de 4G rural??? Eu pergunto por causa da tabelinha postada na matéria ... Se for isso, é garantia de 100% de que o serviço fique muito caro e um lixo.... Que aliás, a telefonia no Brasil já é um lixo mesmo tendo concorrência (vulgo oligopólio) , imagina se segui a divisão da tabelinha...

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As franquias são mínimas, note bem, e obviamente as operadoras podem oferecer mais. Isso foi um detalhe que me esqueci de explicar no tutorial.

Acho mais fácil acharem o ET de Varginha ali no bar da esquina do que isso acontecer. :D

Pelo menos no "oferecer mais sem cobrar muito caro por isso".

É impressão minha ou só vai ter uma operadora por estado que irá prestar o serviço de 4G rural??? Eu pergunto por causa da tabelinha postada na matéria ... Se for isso, é garantia de 100% de que o serviço fique muito caro e um lixo.... Que aliás, a telefonia no Brasil já é um lixo mesmo tendo concorrência (vulgo oligopólio) , imagina se segui a divisão da tabelinha...

Como é um investimento de retorno negativo, eles não vão querer concorrência pra piorar a situação, e acho que nenhuma empresa toparia um negócio ruim e que ainda tem briga, infelizmente.

Eu fico curioso como tem muita cidade com zona rural relativamente pequena, que poderia ter cobertura sem muitos problemas, e que vai entrar nesse rolo.

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Como é um investimento de retorno negativo, eles não vão querer concorrência pra piorar a situação, e acho que nenhuma empresa toparia um negócio ruim e que ainda tem briga, infelizmente.

Eu fico curioso como tem muita cidade com zona rural relativamente pequena, que poderia ter cobertura sem muitos problemas, e que vai entrar nesse rolo.

Editado por zex

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De qualquer forma alguém teria prejuízo.. antes eles (que tem um lucro danado em outras regiões) do que uma estatal. ;)

E eu acho que isso vai dar prejuízo de forma relativa, com o tempo, o acesso aumentará.

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De qualquer forma alguém teria prejuízo.. antes eles (que tem um lucro danado em outras regiões) do que uma estatal. ;)

E eu acho que isso vai dar prejuízo de forma relativa, com o tempo, o acesso aumentará.

Mas a densidade dos acessos na zona rural é muito baixa... Numa cidade você faz uma infra com 10 antenas por ex. e atende 100.000 pessoas, já na zona rural faz o mesmo investimento pra atender 1000.

Mesmo que um dia se torne lucrativo, não vai chegar nem perto do acesso urbano.

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Mas a densidade dos acessos na zona rural é muito baixa... Numa cidade você faz uma infra com 10 antenas por ex. e atende 100.000 pessoas, já na zona rural faz o mesmo investimento pra atender 1000.

Mesmo que um dia se torne lucrativo, não vai chegar nem perto do acesso urbano.

Sim, concordo contigo, mas é baixa agora também porque não tem serviço. ;)

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É impressão minha ou só vai ter uma operadora por estado que irá prestar o serviço de 4G rural??? Eu pergunto por causa da tabelinha postada na matéria ... Se for isso, é garantia de 100% de que o serviço fique muito caro e um lixo.... Que aliás, a telefonia no Brasil já é um lixo mesmo tendo concorrência (vulgo oligopólio) , imagina se segui a divisão da tabelinha...

Sim, só haverá uma operadora por região, conforme consta no edital. O esquema foi o seguinte. Fizeram um leilão para esta faixa de frequência e nenhuma empresa se interessou, ninguém participou do leilão. Aí a Anatel decidiu que as empresas ganhadoras das subfaixas de 2,5 GHz teriam a obrigatoriedade de desenvolver redes 4G rurais. Cada subfaixa foi amarrada a uma região geográfica para a faixa de 450 MHz. Assim, por exemplo, quem ganhou a subfaixa V1 tem de desenvolver a internet 4G rural em uma determinada região e assim por diante.

Pessoal, no final do tutorial eu coloquei um link para uma apresentação bem detalhada da Anatel, fácil de entender, sugiro que cliquem para ver e ter mais informações.

Abraços e obrigado pelo o interesse neste tutorial, em breve postarei mais tutoriais como esse.

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Apenas uma retificação: a exigência mínima de velocidade para essas redes é muito baixa, conforme explicado no artigo e, por isso, cometi um equívoco quando coloquei este artigo originalmente no ar, chamando as redes de "4G rurais". A tecnologia que será usada ainda não está clara, por isso acabei de remover o "4G" do texto e título. Peço desculpas pela confusão.

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O que a Anatel deveria ter feito era ter liberado essa frequência para pequenos provedores, pois estes sim já atendem muitas zonas rurais do Brasil e se beneficiariam da frequência.

O "problema" das frequências mais baixas, como a de 450 MHz é o "baixo" throughput, ou seja, a banda passante é menor do que em frequências mais altas, como é a banda de 2.5 GHz.

A vantagem dessas frequências baixas, é que dada a forma e tamanho da onda, é mais "imune" a interferências e tem um alcance mais longo.

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Eu posso estar falando besteira,mas o que as operadoras queriam é que essa banda de internet rural fosse de 700 Mhz ao invés dos 450 Mhz,justamente para terem investimento zero na implantação do 4G das cidades.

E as emissoras de TV? Que se "virem nos 30"...:D

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