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E se os alto-falantes tiverem impedância muito alta?


Ir à solução Resolvido por Gabriel Torres,

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Pessoal, tenho dois alto-falantes para usar em cada um dos dois canais de saída de um amplificador e estava pensando em colocar esses alto-falantes em série.

Quais as consequências desse tipo de arranjo sobre a distorção, sobre o aquecimento, sobre a potência que o amplificador entrega? Pode estragar o amplificador? Pode sobreaquecer o trafo de alimentação?

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@Renato Lazzari

 

Se a impedância dos altos falantes for mais alta do que a da saída do amplificador, não haverá a transferência máxima de potência. Em outras palavras, no volume máximo, o som não sairá tão alto quando o de um alto falante de mesma impedância da saída do amplificador.

 

Note que no caso de alto-falantes com impedância menor do que a da saída do amplificador, esse configuração poderá queimar o amplificador (em teoria, pois praticamente todos os amplificadores comerciais têm proteção conta curto-circuito; mas o fato é que haverá corte).

 

Há um capítulo inteiro sobre esse tema em meu livro, caso queira se aprofundar:

 

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Bem lembrado, caro Gabriel. Na verdade tenho em algum lugar um exemplar da 1a. edição, capa azul. Deve estar com meu filho... Mas como cada edição vai sendo melhorada e já está na 3a. edição - em PDF fica mais disponível do que ter que ficar caçando - já aceitei sua sugestão.

 

Grato!

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A resposta do @Gabriel Torres foi perfeita, faltou apenas um ingrediente: o usuário.

A melhor configuração depende de ti, mais precisamente da forma como pretende usar seu equipamento. Muitas vezes temos um aparelho de grande potência desejando apenas ter um som de excelente qualidade, outras vezes desejamos usar a potência no talo. Para quem não pretende usar alto volume, ter os falantes em série é a melhor solução. Acredito que estamos falando de um amplificador linear, não chaveado. Se, num determinado momento da execução da música for necessário 1A de corrente instantânea por falante, lembre-se que o equipamento é linear. Caso os falantes estejam em série, teremos 1A passando pelo transistor e por cada falante. Em cada falante a tensão será RI, a tensão sobre a série será 2 x RI e a potência dissipada sobre o transistor será a tensão da fonte menos 2X a tensão em cada falante, é a configuração onde o transistor esquenta menos. A corrente exigida da fonte será de 1A.

 

Em paralelo as coisa mudam. para se ter o mesmo 1A em cada falante, sobre o transistor e a fonte serão 2A. A potência dissipada no transistor será a tensão da fonte menos RI, ou seja, teremos muito mais aquecimento da fonte e do transistor para a mesma potência. 

 

A limitação do sistema em série é que talvez não consiga a potência máxima que o amplificador pode fornecer, mas isso só será problema se o usuário pretender usar o topo dessa potência.

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22 horas atrás, Gabriel Torres disse:

Há um capítulo inteiro sobre esse tema em meu livro, caso queira se aprofundar:

 

Pois é, é o capítulo 28 dessa nova edição... Lendo-o (e conferindo com o resultado prático) está me ocorrendo o seguinte: com a nova impedância, resultado dos alto falantes em série, o amp não está sendo tão forçado quanto com apenas um alto falante, de fato esquenta menos os dissipadores. Também nesse novo arranjo a distorção fica sensivelmente menor.

 

Agora tem a questão da potência... a potência teórica do amplificador fica reduzida, certo? Mas lembremos que a área das membranas que movem o ar é o dobro... os dois alto falantes de cada canal são de 4 polegadas, 10 cm.

 

Então nem que a potência tenha caído pela metade, o volume de som percebido parece ter compensado... e com uma vantagem: os alto falantes antigos são para reprodução de graves. Não chegam a ser subwoofers mas são bem pesados e a borracha que prende o cone no chassis é bem dura. Já os novos são do tipo "full range" e "gritam bem os agudos...

 

Na verdade comprei esses "full range" justamente porque faltava agudo... Pensei em trocar os "gordos" por esses "full range" mas ao ligá-los em paralelo tanto o amp parou de se desligar quando no volume máximo quanto agora tem agudos suficientes. E como o deslocamento final de ar acabou dobrado, parece que esse arranjo ficou bem legal.

 

Ainda não fiz as novas caixas - tá bem difícil arranjar um marceneiro para cortar a madeira nesse fim de ano - mas caixa é mais para os graves, mesmo. Tanto que tem tweeter que fica até fora da caixa... Acho que vai melhorar quando estiver tudo na caixa. Mas com os full range fora delas já melhorou bem a resposta e não deu para perceber nenhuma queda no volume final, aquele que a gente ouve.

 

arMBsb4.jpeg

 

(Além do que com as novas caixas a estética ficará, pelo menos, decente, rs...)

 

 

A única desvantagam aqui é se (ou quando) um dos falantes queimar, que aí o canal todo fica sem som... Mas mesmo em paralelo, se (ou quando) um af queima, dana tudo, né?

 

17 minutos atrás, Sérgio Lembo disse:

faltou apenas um ingrediente: o usuário.

 

Pronto, taí: se aumentar muito o volume, fico (mais) surdo, rs...

 

São caixinhas para ver filmes e ouvir música no computador, Sérgio. Ou seja, para ficar com a cara colada neles, quase.

 

O amp é um LM3886 duplo, o antigo LM4780, numa configuração que entrega, teoricamente, uns 30w por canal.

Os alto falantes são - segundo eles mesmos - para 60w os "gordos" e 50w os full range...

 

Ontem dei uma testada no volume máximo. Quando os falantes eram só os woofers, isso fazia o amp desligar para se proteger, acho que porque o dissipador é insuficiente. Mas agora, abri o volume todo, saí da sala, fechei a porta e creio que, se deixasse por mais do que poucos minutos, o vizinho teria razão em reclamar, rs...

 

O mais legal é que pelo que deu para testar, o amp não se desligou com os alto falantes assim, em paralelo.

Postado
1 hora atrás, Renato Lazzari disse:

O amp é um LM3886 duplo, o antigo LM4780, numa configuração que entrega, teoricamente, uns 30w por canal.

Quando adolescente (a 50 anos) tive uma vitrola Phillips 10W + 10W RMS a válvula HiFi. Minham mãe proibia de usar volume alto e a vitrola dava conta dos aniversários no salão de festas do edifício, 2 falantes por caixa, um pequeno e um grande. Ainda não entendi essas caixas amplificadas com centenas de watts, só servem para causar confusão com a vizinhança, o sem-noção não se contenta em escutar o som, faz questão que todos saibam que possue um som potente. 

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É... tempos modernos, meio "selvagens" acho, em que vale a ostentação. E se em casa já é ruim, Serjão... de dentro do meu carro, com os janelas fechadas, às vezes passa ao lado um carro "tunado", cujos graves fazem a minha barriga tremer. Fico imaginando como deve estar dentro do "tunado"... e o inferno que deve ser a cabeça do cara, lá dentro.

 

A gente, quando era moço, fazia o que chamávamos de "baile de garagem" com 20w, duas caixas e, olha... tinha que gritar para ser ouvido. (Tomando Cuba Libre, me lembro bem agora, rs... "Do you wanna dance and hold my hands...", kkkk...)

 

 

Acompanho um canal no Youtube, chama-se "Áudio Clássico", o autor se dedica a restaurar equipamento de áudio dos anos 60, 70... Ele acha que naquele tempo os Novik (e outros daquela época) tinham cones mais leves... sem dúvida tinham melhor rendimento, vai saber porque... Pelo que entendi esse restaurador tem um conhecido que se especializou em restaurar esse tipo de falante, mais antigo.

 

Que tempos, meu amigo, que tempos, rs...

  • Obrigado 1
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18 horas atrás, Renato Lazzari disse:

de dentro do meu carro, com os janelas fechadas, às vezes passa ao lado um carro "tunado", cujos graves fazem a minha barriga tremer. Fico imaginando como deve estar dentro do "tunado"... e o inferno que deve ser a cabeça do cara, lá dentro.

Tenho uma teoria do porquê não estouram os tímpanos do capeta... há uma reverbação interna - ecos ou algo do gênero no interior daquele inferninho. Algo como estes caríssimos foninhos com cancelamento de ruido ativo. (me lembro de ter visto 1 que custava ~Ũ$20,000) Assim sendo ou sendo assim, alguns sinais se anulam o que confere uma bênção pra aquele capetinha manter temporariamente seus ouvidos ouvindo um pouco mais.

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Em 19/12/2025 às 11:52, Renato Lazzari disse:

Ainda não fiz as novas caixas

Bom cheguei atrasado, e acabei lendo o tópico todo e percebi que falta uma informação importante. 

Qual a impedância dos seus alto-falantes? 

Pois nessas associações, é interessante que eles tenham a mesma impedância, senão o que for maior fica meio que a toa. Com o menor "roubando" toda carga pra ele. 

Outra coisa, a impedância não pode ultrapassar os limites previstos no datasheet. 

Se a do alto-falante é mais alta, você não aproveita toda a potência que o conjunto pode fornecer. Se bem que em alguns casos isso é interessante. 

Sobre impedância baixa (já foi explicado em detalhes, antes) se abrir todo o volume pode queimar o sistema, o mais forte vence. 

Em 19/12/2025 às 16:06, Renato Lazzari disse:

A gente, quando era moço, fazia o que chamávamos de "baile de garagem" com 20w, duas caixas e, olha... tinha que gritar para ser ouvido. (Tomando Cuba Libre, me lembro bem agora, rs... "Do you wanna dance and hold my hands...", kkkk...)

Potência sonora x potência elétrica, é algo complicado de compreender. 

O que o sistema consome de energia, não é o mesmo que fornece em trabalho mecânico, no caso som. 

Tem toda a ciência da construção do aparelho, de que topologia eletrônica foi usada, tipo de alto-falante, tipo de caixa acústica, ambiente onde está instalado e a mais importante é o volume do som ser percebido por nós num tipo de progressão geométrica. Onde se percebe fácil o aumento até em torno de 10 ou 20W. Depois disso, pode colocar 30, 50, 100 que será praticamente a mesma coisa. 

A diferença começa a ficar no alcance do som. 

 

Já nesse caso.... 

Em 19/12/2025 às 16:06, Renato Lazzari disse:

Ele acha que naquele tempo os Novik (e outros daquela época) tinham cones mais leves... sem dúvida tinham melhor rendimento, vai saber porque...

Tenho um par de Novik de 12", impedância de 8R , potência de 150W e são da década de 80, acho. 

O interessante é que se ligar eles num toca fitas de carro que tem potência de 6W por canal no máximo, o som deles é bem alto, o volume é quase igual se ligar num Receiver ou amplificador de época que chegam lá a fornecer 20 ou 30W por canal. 

A diferença fica pelos graves, no toca fitas é mínimo. No amplificador, o cone bate no imã com força se deixar o botão no máximo. 

7QdbBqF.jpeg

O alto falante é esse aí... 

Essa caixa de madeira já nem existe mais, e o aparelho que está em cima é o meu Receiver (antes da reforma) é o que tem a história dele aí no fórum. 

 

Ainda nessa de som fraco que canta alto... 

Quando a gente fazia festa aqui, o som eram aqueles 3 em 1 populares na década de 90. Eram Gradiente, CCE, Sony, Sharp, etc. 

Recentemente mexi com umas sucatas deles, peguei um gradiente (parecido com o nosso) e usavam um CI da Sanyo o LA4508 de apenas 8W por canal. Um trafo pequeno de 18VAC alimentava a bagaça, mas o som era razoável até. De qualquer forma, era mais alto que as porcarias que vendem hoje e dizem que tem 50W. 

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12 horas atrás, Renato.88 disse:

Qual a impedância dos seus alto-falantes?

 

A impedância atual, com os dois alto-falantes em série, é de 14Ω. O full range é de 8Ω e o puro woofer, de 6Ω.

Ou seja, o alto falante que reproduz só graves acaba ficando com a maior parte da potência...

 

Na configuração atual da montagem (ganho = 23 ou 27dB, mais ou menos), segundo o datasheet as potências em relação às cargas são:

 

4Ω - 57,8w

6Ω - 41w

8Ω - 30w


Não encontrei no manual uma indicação de carga máxima, Renatão. Só mínima, que é 4Ω...

Será que é muito difícil fazer a conta para encontrar a potência para esses 14Ω?

 

(Uma coisa que não especifiquei aqui mas que parece bem importante para a potência é a alimentação. Se você quiser, trago mais tarde aqui a configuração completa do amp...)

 

Esse "set", dos dois alto-falantes em série, está funcionando bem melhor do que quando eram só os das caixas, que são woofers ou, segundo o cara que me forneceu, capazes de reproduzir frequências tão baixas que podem ser considerados pequenos subwoofers.

 

Agora, se esse "set" está bom, bem... não tem como separar as frequências com filtros.

 

Por outro lado, se for usar filtros, a gente teria que conectá-los em paralelo, o que estouraria a impedância mínima.

 

8Ω || 6Ω = 3,43Ω (troque Ω por z, para ser exato)...

 

E de fato, como experiência, liguei os dois em paralelo e o som não apenas ficou horrível, distorcido, como ficou acontecendo o tempo todo do amp se proteger, como disse nosso anfitrião

 

Em 18/12/2025 às 12:57, Gabriel Torres disse:

todos os amplificadores comerciais têm proteção conta curto-circuito; mas o fato é que haverá corte

 

E isso já no meio do potenciômetro de volume, hein? Se abrir total a música não toca por 5 segundos sem cortar...

Já com os dois em série, pode abrir total o volume que o amp não se protege e o volume sonoro fica bom... Só que aí, como eu disse, não tem como filtrar as faixas de frequência...

 

Dilemas, Xará...

Postado
6 horas atrás, Renato Lazzari disse:

Não encontrei no manual uma indicação de carga máxima, Renatão. Só mínima, que é 4Ω...

É ao contrário. Lembre-se que é uma matemática inversa, menos R é mais corrente. 

4 ohm é a carga máxima, por isso que não existe a carga mínima. 

 

6 horas atrás, Renato Lazzari disse:

Será que é muito difícil fazer a conta para encontrar a potência para esses 14Ω?

De qualquer forma, a tensão presente nos alto falantes não pode ultrapassar os 50 ou 60W de cada um. 

O de 60 não pode receber mais que 22V.

E o de 50 fica com 17V.

Mas claro que isso é um valor médio e não deve ser levado ao pé da letra. 

 

E ainda... Como você ligou os dois em série e são diferentes, teria que ser uma tensão maior que a soma de 39V para dar errado. 

Porém o LM4780 não consegue fornecer essa tensão. 

 

6 horas atrás, Renato Lazzari disse:

 

Agora, se esse "set" está bom, bem... não tem como separar as frequências com filtros.

 

Por outro lado, se for usar filtros, a gente teria que conectá-los em paralelo, o que estouraria a impedância mínima

Mesmo em série, tem como colocar filtro passivo pelo menos no woofer. 

 

6 horas atrás, Renato Lazzari disse:

E isso já no meio do potenciômetro de volume, hein? Se abrir total a música não toca por 5 segundos sem cortar...

Já com os dois em série, pode abrir total o volume que o amp não se protege e o volume sonoro fica bom..

Pois é, o sistema está trabalhando folgado. Por isso que o som fica bom. 

 

Nos meus sistemas de som, é só Woofer e tweeter. Não curto muito o som dos médios. 

  • 3 semanas depois...
Postado

@Renato Lazzari Nas férias eu reformei meu Aiwa NSX2200. Voltou a funcionar tape-deck e CD.

Achei no mercado livre mais duas caixas, liguei em série e se soube-se tinha feito isso antes pois coloquei 1 caixa em cada quina da parede da sala apontando para o centro do meu sofá. Rapaz ficou bom de mais, não escuto mais som alto e esse aparelho tem potência de sobra então não senti a perda de potência, mas o palco sonoro ficou ótimo.

Esse aparelho é da época dos contos de fada do PMPO dizia ser de 2200W, RMS era 360, mas eu acho que nem no RMS era verdadeiro, na etiqueta o consumo era de 185W/h. São caixas de 6 ohms que ficou com 12.

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Em 11/01/2026 às 20:11, Marcelotronic disse:

Esse aparelho é da época dos contos de fada do PMPO dizia ser de 2200W, RMS era 360, mas eu acho que nem no RMS era verdadeiro, na etiqueta o consumo era de 185W/h. São caixas de 6 ohms que ficou com 12.

Sendo original de 6 ohms, deve chegar a uns 80 ou 90W. Porém com um som já distorcido limitado pela potência da fonte.

Mas ninguém quer essa potência dentro de casa, 10 ou 20Wrms de verdade em um bom aparelho já trás um som bacana.

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